Querendo encontrar-se, da janela, contempla, longe, no horizonte, uma pequena imagem deslocar-se devagar em um ato contínuo. O olhar, admirado, consegue achar-se quando, no ar, em uma transparência surreal, um sorriso transpira. A imagem, refletida, paira no ar.
Do horizonte, a janela: lá está um ser familiar com suas paranóias diárias em um quarto trancado. A fechadura é o medo. A chave, a tristeza de mais um amanhecer.
A cabeça confusa, perdida em mais uma paranóia, pergunta: "Como posso, daqui, me ver lá".
Uma gargalhada ressoa em seus pensamentos inconstantes fazendo-o quase sorrir, mas o esforço é notável e a concentração é realcançada com uma fisgada no lado esquerdo da cabeça.
Na janela, o Medo. No horizonte, com um sorriso descomposto, o Amor.
Concentrado, a olhar, a porta é aberta despercebidamente, entram dois seres vestidos com jalecos brancos. Um carrega a seringa na mão. O sono chega sem bater, as vistas escurecem, o horizonte desaparece com o ser familiar pairado, a olhar. Um dos seres fecha a janela enquanto o outro coloca-o na cama. Em seguida, saem batendo a porta. No sub consciente pôde-se ouvir as pisadas esvaindo-se lentamente.
