O primeiro contato com a luz é radiante, sensacional.
Um pouco para alcançar supremacia, algo equivoca-se: uma penumbra se arrasta pelo intenso céu dificultando a visão de toda proeza.
A chuva cai tateando o vácuo. O primeiro toque de suas partículas miúdas é, de certa forma, aliviante, preenchendo o vazio. — A solidão pode ser arrasadora para quem não sabe aproveita-la: chega sem avisar, te possuindo, exaurindo-o com um desejo enlouquecedor do nada, um sentimento perverso, insaciável.
Partindo, a chuva leva consigo o calor, o que era seco, molhara. Um arrepio percorre todo o corpo numa ligeireza incontrolável. A primeira sensação de frio foi com um tinir constante: ouvia-se as batidas ocas dos dentes repetidamente.
A solidão é forte agora que o ilusivo alívio partiu. Pensando em coisas que não fazem nenhum sentido, que consomem a própria vontade como se fosse o certo a ser feito, como se, a entrega, fosse a felicidade esperando por um abraço forte, quente.Ao longe, na linha do horizonte, brota na terra um fiapo de luz consumindo a escuridão elevando-se até o alto céu numa rapidez impressionante.
O primeiro nascer do sol é realmente deslumbrante.
O sombrio parece forte e invencível, até vir a luz: "nascer de novo"
Jocivan Brandão Café, 2010
