quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O Folego

Eu folego.

No intervalo entre um passo e outro,
eu me permito parar —
não por cansaço,
mas por sabedoria.

Eu folego
quando a alma pesa,
quando o dia aperta,
quando a vida me pede silêncio
em vez de pressa.

Eu folego
para me lembrar que não sou máquina,
que o peito também precisa de espaço,
e que o tempo, às vezes,
não é de avançar,
mas de assentar.

Eu folego
quando o mundo exige luta
e eu escolho calma;
quando esperam força
e eu ofereço presença.

Eu folego
para me encontrar no próprio ar,
para recolher o que sou
antes de me lançar de novo
no que devo ser.

Eu folego
porque viver não é apenas correr:
é saber parar, escutar, recolher,
e seguir adiante
com mais alma
do que antes.

E quando enfim percebo,
não é a vida que folega de mim —
sou eu que folego dela,
até caber inteiro
no instante seguinte.