Quem diria? hoje estou aqui barganhando choros. Na busca pelo meu conforto, confronto os meus próprios medos, traio a mim mesmo.
Antigamente, o que eu queria eram dias de sol. O sol me irradiava, me energizava, me vivificava. Hoje, clamo por dias de chuva: “Chuva! Chuva! Chuva!”
O que causa a necessidade de purificação de espírito?
Meu espírito grita, anseia pelo próximo prantear do céu, pela chuva purificadora. Em troca, eu lhe emprestarei os meus ouvidos. Ouvirei seu pesar por horas se preciso for. Minha mãe sempre dizia: —Não é atoa que temos dois ouvidos e uma, única, boca.
Hoje, abri a janela, encarei-o por uns instantes com um olhar um tanto irritado. Enquanto eu estou necessitado de seu choro, ele vive a sorrir. Diz não precisar mais de mim. Diz, também, ter encontrado um outro céu. E, como se não bastasse, diz, ainda, ser sua alma gêmea.
O que dois seres ou duas coisas precisam para que o amor posso fluir entre eles?
Minha mãe sempre dizia: — O amor é um sentimento lindo, mas, também, pode ser muito cruel.
Com o sol cada vez mais quente, devido a intensificação do romance celeste, ardia minha pele e eu me escondia, mas me esconder não era a solução, disso eu sabia, não era por nada que minha mãe dizia. Um dia, depois de muitos em casa sem sair, resolveu que tinha de ir resolver seus problemas pessoais. Na época, eu não entendi. Talvez, ainda, não entenda.
Mas, e daí? Sei que nada posso fazer para que chova, senão, esperar. Inventar uma traição de sua amada poderia me causar a perdição total. Por isso, passei a trocar o dia pela noite, e sempre, sempre irei clamar por mais um dia de chuva.
“Chuva! Chuva! Chuva!”









