segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Por Dias de Chuva

Em dias de chuva, eu me comprometo com o céu, ouço o seu pesar, toda a sua angústia, enquanto o seu pranto cai e me cura. Minha mãe sempre dizia: “Um choro, quando é puro, pode curar corações.”

Quem diria? hoje estou aqui barganhando choros. Na busca pelo meu conforto, confronto os meus próprios medos, traio a mim mesmo.
Antigamente, o que eu queria eram dias de sol. O sol me irradiava, me energizava, me vivificava. Hoje, clamo por dias de chuva: “Chuva! Chuva! Chuva!”

O que causa a necessidade de purificação de espírito?

Meu espírito grita, anseia pelo próximo prantear do céu, pela chuva purificadora. Em troca, eu lhe emprestarei os meus ouvidos. Ouvirei seu pesar por horas se preciso for. Minha mãe sempre dizia: —Não é atoa que temos dois ouvidos e uma, única, boca.

Hoje, abri a janela, encarei-o por uns instantes com um olhar um tanto irritado. Enquanto eu estou necessitado de seu choro, ele vive a sorrir. Diz não precisar mais de mim. Diz, também, ter encontrado um outro céu. E, como se não bastasse, diz, ainda, ser sua alma gêmea.

O que dois seres ou duas coisas precisam para que o amor posso fluir entre eles?

Minha mãe sempre dizia: — O amor é um sentimento lindo, mas, também, pode ser muito cruel.

Com o sol cada vez mais quente, devido a intensificação do romance celeste, ardia minha pele e eu me escondia, mas me esconder não era a solução, disso eu sabia, não era por nada que minha mãe dizia. Um dia, depois de muitos em casa sem sair, resolveu que tinha de ir resolver seus problemas pessoais. Na época, eu não entendi. Talvez, ainda, não entenda.

Mas, e daí? Sei que nada posso fazer para que chova, senão, esperar. Inventar uma traição de sua amada poderia me causar a perdição total. Por isso, passei a trocar o dia pela noite, e sempre, sempre irei clamar por mais um dia de chuva.

“Chuva! Chuva! Chuva!”





quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Canto das Sombras

Ao longe, posso vê uma estrela se extinguir
No azul do céu prata, estou a colorir
Quando todo mundo está prestes a dormir
Eu, daqui de cima, preparo o seu sorrir

Em meio as sombras, dentro de mim
Sei que posso ti ouvir
Um som alvoroçando a escuridão
No caminho certo sei que posso ter o teu perdão

Em um mundo vivo, eu e minhas sombras
Tateando às cegas, procurando o caminho
Com esperança, tropeços e quedas
Sigo caindo em moinhos

Em meio as sombras, dentro de mim
Chego, às vezes, a me confundi
Um ar de derrotado ou não
Mas o caminho está logo ali

..Eu sei, posso sentir..

Jocivan Brandão Café




segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Conflito Interno

Tudo se repete intensamente, familiarmente, progressivamente.
Tudo vem transformando o intransformável em um duelo travado consigo mesmo tentando inutilmente não cometer os mesmos erros.
A persuasão é uma arma. Com o tempo, uma ideia, por mais forte que seja, cede espaço a uma nova ideia que terá o poder de sucumbir outras, aparentemente, preciosas.
Sabes o que é precioso?
Cada um tem sua preciosa idade guardada em si.
Uma guerra começa com tambores e trombetas.
Brigando pela conquista absoluta da vida, pela liberdade de poder ver mais um principiar do sol no horizonte, sem dor, magoa ou qualquer outra perturbação. Apreciar a plenitude de tudo sem qualquer obrigação.
Esta guerra interna não tem hora para acabar, mas terá seu fim,
um dos lados ganhará, mas, sempre, independente de qual lado ganhe,
no fundo, ambos terão uma dúvida sobre quem realmente ganhou.





Jocivan BC

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Retrospecto

Quando criança, vivia a sonhar
Sonhava em ter todos os brinquedos, os quais quisesse brincar
Assim, não precisaria sonhar

Quando adolescente, andei devagar
Vagando acabei chegando em algum lugar
Foi quando descobri que estava na hora de parar
Decidi sentar e analisar

Adulto, entendi: A vida não passa tão devagar
Fui obrigado a ver que não tinha tempo para sonhar
Tão pouco, para sentar e analisar
Como num rio, com sua correnteza violenta e forte, fui levado a outro lugar

Hoje idoso, descobri que rimar não é o mais importante
Descobri a vida no tempo que me foi confiado
Descobri que todo tempo existe para uma finalidade









Jocivan Brandão Café, 2007

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ensaio da vida - Introdução

O sentimento é puro. As razões são verdadeiras. Vem de dentro, expelindo-se da alma para conhecer o que vem de fora.
O primeiro contato com a luz é radiante, sensacional.
Um pouco para alcançar supremacia, algo equivoca-se: uma penumbra se arrasta pelo intenso céu dificultando a visão de toda proeza.
A chuva cai tateando o vácuo. O primeiro toque de suas partículas miúdas é, de certa forma, aliviante, preenchendo o vazio. — A solidão pode ser arrasadora para quem não sabe aproveita-la: chega sem avisar, te possuindo, exaurindo-o com um desejo enlouquecedor do nada, um sentimento perverso, insaciável.
Partindo, a chuva leva consigo o calor, o que era seco, molhara. Um arrepio percorre todo o corpo numa ligeireza incontrolável. A primeira sensação de frio foi com um tinir constante: ouvia-se as batidas ocas dos dentes repetidamente.
A solidão é forte agora que o ilusivo alívio partiu. Pensando em coisas que não fazem nenhum sentido, que consomem a própria vontade como se fosse o certo a ser feito, como se, a entrega, fosse a felicidade esperando por um abraço forte, quente.
Ao longe, na linha do horizonte, brota na terra um fiapo de luz consumindo a escuridão elevando-se até o alto céu numa rapidez impressionante.
O primeiro nascer do sol é realmente deslumbrante.

O sombrio parece forte e invencível, até vir a luz: "nascer de novo"




Jocivan Brandão Café, 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ensaio da Loucura - Introdução

Querendo encontrar-se, da janela, contempla, longe, no horizonte, uma pequena imagem deslocar-se devagar em um ato contínuo. O olhar, admirado, consegue achar-se quando, no ar, em uma transparência surreal, um sorriso transpira. A imagem, refletida, paira no ar.

Do horizonte, a janela: lá está um ser familiar com suas paranóias diárias em um quarto trancado. A fechadura é o medo. A chave, a tristeza de mais um amanhecer.
A cabeça confusa, perdida em mais uma paranóia, pergunta: "Como posso, daqui, me ver lá". 
Uma gargalhada ressoa em seus pensamentos inconstantes fazendo-o quase sorrir, mas o esforço é notável e a concentração é realcançada com uma fisgada no lado esquerdo da cabeça.
Na janela, o Medo. No horizonte, com um sorriso descomposto, o Amor.

Concentrado, a olhar, a porta é aberta despercebidamente, entram dois seres vestidos com jalecos brancos. Um carrega a seringa na mão. O sono chega sem bater, as vistas escurecem, o horizonte desaparece com o ser familiar pairado, a olhar. Um dos seres fecha a janela enquanto o outro coloca-o na cama. Em seguida, saem batendo a porta. No sub consciente pôde-se ouvir as pisadas esvaindo-se lentamente.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ensaio sobre o amor

O amor? nada sei.
Assim, não falo sobre. Para não perder-me em meio ao vão da ciência.
Nada importa. Se é um fim impor turnos que nos mata com lentidão ou rapidez, senão, um meio. 
Não adianta. Se tiver que amar, será, senão, contra sua própria vontade, com ou sem dor. Não há o que fazer.
Uma vida renovada, sem barreiras, desconstruída, como uma bola de canhão a espreita no canto da sala, esperando por uma guerra onde irá vingar de uma maneira, um prazer que ela o sabe.
Sem transmitir pesar por qualquer um de vós que amais com vigor, termino com esse baboseiro sem indício algum ou rancor.






sexta-feira, 7 de maio de 2010

..A Mente..

Vida minha, a minha vida, que tanto prezo e desprezo. Que ideologia a minha? achar que tudo tem seu sentido, um significado? Até onde vai minha imaginação? Eis a questão. Sendo assim deixo tudo como está. Se vier a continuar, é por algo que não coube a mim controlar. Tudo passa. Até essa ideologia barata. Pude observar isso nesses pouquíssimos anos vividos. De tantas coisas que um dia tive certeza, acho que poucas trouxe comigo, mas, talvez, seja uma certeza das muitas que já tive. Viver é uma palavra, entre muitas, que escolheram para denominar este status. Afinal, fica menos difícil entender algo se der um nome. Quero dizer, esses trilhões de palavras que inventaram facilitam muitas vidas. Se é que seja realmente assim. Antes que me perca nessas muitas palavras, voltemos a minha vida...
A muito tenho andado e pesquisado tudo e todos. Observando apenas o que eu quero, o que me chama a atenção, coisas que me fazem refletir e analisar coisas que são incompreensíveis, e quanto maior a incompreenção, maior é a atração. Porque, o que há de compreensível neste mundo? Será tudo uma perda de tempo? Tudo na vida é uma grande perda de tempo ou não. É difícil dizer quando não se sabe, quando não há certeza. Sabendo meu propósito, com certeza, não perderia tempo. Meus pensamentos, os que tenho, talvez tenham algum propósito.
Já que estou supostamente vivendo, irei gozar de tudo o que a vida me oferece. A vida é um grande e complexo “pode ser ou não pode ser”. Se puder, agradeço!

Jocivan Brandão Café





terça-feira, 4 de maio de 2010

Sou eu

Eu mesmo, único, sem copias, sem imitações.
Sou o que sou.
Não vou mudar a minha vida.
Eu faço o que bem entendo.
Cada um tem sua vida.
Fazem o que bem entendem.
Viver, amém.
Mas, quebrar, quebrou.
Assim que aprende quando se aprende com os erros.
Aprendi:
Viver é verbo infinitivo absoluto.
A vida é um dom, é o presente que carrega consigo seu pretérito perfeito.
O raro amor, sem valor, é perdido para outro encontrá-lo.
Tudo passa, um dia aprendo.
O que era importante, mudara com o tempo.
Tenho muito o que viver, muito o que aprender.






segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sonhos

Um sonho pode ser brutal, 
Também, pode ser doce. Como um algodão doce,
Pode nos trazer prazer.
Ah! Nos sonhos pode muita coisa.
Sonhar é voar
Acordado,
É estar no limite do saber. Semelhantemente, é viver
A realidade, é de verdade.
Um sonho vívido vem por um desígnio.
É tão real quanto a realidade habitual
Vivida em um fluxo de dois sentidos.
Absolutamente, o prazer em sonhar supera o prazer em viver
Em muitos casos.
Tantos,
Que, as vezes, usar o termo "as vezes",
Chega a ser ingênuo,
Como o arrepio que gera um frio,
Não há como saber.