terça-feira, 4 de agosto de 2026

Desembrulhando o Presente

Ainda era de madrugada. Enquanto o canto do galo soava, saltei da cama num impulso. Eu sabia que tudo aconteceria a sua maneira, do seu jeito.

Antes de principiar o sol, eu já estava pronto e vim com ele clareando o meu caminho. Quase tudo ficou para trás, só está comigo o essencial para uma boa obra, ferramentas forjadas pelo próprio Senhor.

Com o futuro a um passo e um passado desejável, deleito o presente, aprendo com ele a ser quem sou, o que sou, quem é Deus. O saber não basta para um bom domínio, é necessário obediência... e sabedoria.

Apesar de está no automático, eu não espero, logo trago, dos frutos, o melhor e saboreio, contigo, a minha porção. Tu que vives e te tens contente com a obra das tuas mãos. 

O teu corpo é doce como o mel, teu toque é suave como plumas, teu aroma é um vício, e me és por inteiro. Do teu amor eu sobrevivo, a tua graça me retém e o teu riso me sacia. Eu nunca me canso de ti, mesmo dormindo, sonho contigo.

Ser você, no seu mundo, é o meu dever, o meu ofício, e não recebo por isso senão o que necessito. Nada me falta senão a falta. Não é o que fazes? Em breve, estarás de volta, embora, já esteja aqui.