A ideia de que somos meros produtos da teoria da evolução soa como uma zombaria diante da nossa trajetória histórica, nos levando a entender que o ser humano, sem educação, tem parentesco com o macaco, ainda que tenha atitudes de jumento, e possamos chamá-lo de bicho preguiça em muitas ocasiões. Olhando pelo retrovisor da ciência, seríamos apenas primatas de estilo de vida animal; contudo, a realidade prova que ninguém nasce "ser humano". Nasce-se "filhote de gente", um potencial biológico dentro de uma classe comum. A humanidade não é um dado da natureza, mas uma conquista da formação.
Essa metamorfose do "humanoide" em Ser Humano exige a união de duas forças: a responsabilidade social de oferecer uma estrutura educativa que adapte as necessidades de todos e a vontade individual de buscar o conhecimento. É nesse caminho palpável da instrução que a distinção biológica morre. Na verdade, é justamente o grau de instrução que nos dá a clareza moral para "considerar" e reconhecer o outro como um semelhante. Somente o ser humano instruído é capaz de enxergar a humanidade na biologia alheia. Sem o polimento da educação, regredimos ao vocabulário do bicho e, frequentemente, chamamos uns aos outros de "animais".
Portanto, não existem "tipos" de seres humanos por natureza, mas variações no acesso e na dedicação ao saber. A verdadeira evolução não é aquela contada pelos fósseis, mas a que ocorre quando a sociedade oferece a ferramenta e o indivíduo decide se esculpir. A exatidão tem de ser considerada ao expressar-se livremente, a fim de que não se produza o erro. Ao nascer, o ser humano é uma miniatura do que virá a ser, na verdade, nos tornamos Humanos pelo convencimento através do exercício da consciência e do respeito mútuo.
